A cana-de-açúcar é a base da maior cadeia sucroenergética do mundo — o Brasil é o maior produtor e exportador de açúcar do planeta — e sua produtividade depende, em grande parte, do manejo eficiente de plantas daninhas. A matocompetição representa uma das principais causas de perda de produtividade nos canaviais brasileiros, com impactos diretos no volume de colmos, na qualidade do caldo e na operacionalidade da colheita.
O problema se agrava porque as plantas daninhas apresentam múltiplos fluxos de emergência ao longo do ciclo, resistência crescente a algumas moléculas de herbicidas e alta adaptabilidade às condições do canavial. Escolher o herbicida certo para cada momento é, portanto, uma decisão técnica e estratégica.
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Por que as plantas daninhas são um dos maiores desafios da cana-de-açúcar
A interferência das plantas daninhas na cana-de-açúcar vai muito além da competição direta por água, luze nutrientes. Estudos agronômicos demonstram que os impactos se manifestam em diversas frentes:
- Redução de produtividade: perdas de 30 a 80% no volume de colmos e na produção de sacarose, especialmente quando a matocompetição ocorre nas fases iniciais do ciclo
- Queda na qualidade da matéria-prima: O estresse causado pela convivência com plantas daninhas afeta a pureza do caldo, o ATR (Açúcar Total Recuperável) e o TCH (toneladas de colmos por hectare)
- Dificuldade operacional na colheita: Cipós como corda-de-viola e mucuna, presentes na pré-colheita, reduzem o rendimento das colhedoras e oneram o processo produtivo
- Hospedagem de pragas e doenças: algumas espécies daninhas servem de hospedeiras alternativas para insetos e patógenos que atacam a cana
As principais plantas daninhas na lavoura de cana-de-açúcar
Os especialistas da área identificam como espécies de maior atenção nos canaviais brasileiros:
- Digitaria horizontalis (capim-colchão): gramínea anual de ciclo curto, competidora agressiva por nutrientes, água e luz; muito comum em áreas de solo revolvido como em áreas da cana-planta
- Urochloa decumbens (braquiária): gramínea perene de alto potencial invasor; difícil controle quando em pós-emergência tardia
- Ipomoea spp. (corda-de-viola): planta trepadora de folha larga com mais de 140 espécies distribuídas pelo território nacional; produz até 9 mil sementes por planta e é uma das mais problemáticas na pré-colheita
- Merremia cissoides (merremia): daninha de folha larga muito comum em canaviais da região Centro-Sul; causa perdas operacionais semelhantes às das cordas-de-viola
- Amaranthus spp. (caruru): espécie de rápido crescimento, alta taxa de germinação e com relatos crescentes de resistência a herbicidas de amplo espectro, como o glifosato
- Cyperus rotundus (tiririca): planta perene de difícil controle, propaga-se por tubérculos subterrâneos e compete intensamente por recursos nos estágios iniciais da cana
- Panicum maximum (capim-colonião): gramínea de grande porte com alta capacidade de sombreamento; compromete o desenvolvimento inicial da cana-planta e da cana-soca
Veja também: Cana: herbicida pré-emergente para proteger a lavoura desde o início
Pré-emergente ou pós-emergente? Entenda quando usar cada um
O canavicultor dispõe de dois tipos complementares de herbicidas, e a estratégia mais eficiente combina os dois em momentos distintos do ciclo:
Herbicida pré-emergente: prevenção desde o início
Os herbicidas pré-emergentes são aplicados antes da emergência das plantas daninhas. Seu principal diferencial é o efeito residual — mantendo a lavoura protegida por semanas ou meses, impedindo o estabelecimento das daninhas e a competição com a cana no período crítico de crescimento inicial. A solubilidade do princípio ativo define o desempenho conforme o regime de chuvas:
- Períodos úmidos: herbicidas de menor solubilidade são preferíveis para evitar a lixiviação e garantir residual adequado
- Períodos semisseco e semiúmido: herbicidas de solubilidade intermediária ou alta são mais indicados, garantindo ativação pelo perfil de chuvas irregular
Herbicida pós-emergente: controle das daninhas já emergidas
Os herbicidas pós-emergentes são aplicados com as daninhas já emergidas e visíveis. São estratégicos em três momentos principais:
- Pós-emergência inicial: plantas infestantes ainda pequenas; possibilita a aplicação com trator e é o momento de melhor relação custo-benefício do controle químico
- Pós-emergência tardia: quando há escapes do pré-emergente ou novos fluxos de emergência; exige produto de amplo espectro de controle
- Pré-colheita: controle de cipós como corda-de-viola e mucuna que atrapalham o rendimento operacional das colhedoras; permite aplicação aérea (avião ou drone)
O produtor pode e deve trabalhar com os dois tipos de herbicidas de forma integrada: em diversas situações há plantas nascidas na área que precisam de controle pós-emergente, enquanto as sementes do banco do solo ainda vão germinar e exigem ação do pré-emergente.
Herbicidas na cana-de-açúcar: pré e pós-emergentes, momentos de aplicação e características
| Tipo | Momento de aplicação | Principal vantagem | Limitação |
| Pré-emergente | Antes da emergência das daninhas | Efeito residual prolongado; ação preventiva | Depende de umidade para ativação; sem ação sobre daninhas já emergidas |
| Pós-emergente inicial | Daninhas pequenas (2 a 4 folhas) | Melhor custo-benefício; plantas mais sensíveis | Janela estreita; exige monitoramento constante |
| Pós-emergente tardio | Daninhas já estabelecidas / escapes | Controle de amplo espectro; flexibilidade | Eficácia pode ser reduzida em daninhas grandes |
| Pré-colheita (aéreo) | 60 a 30 dias antes da colheita | Controle de cipós; melhora rendimento da colhedora | Aplicação aérea exige registro e condições climáticas adequadas |
Como a Syngenta posiciona o portfólio para o manejo completo
A Syngenta desenvolveu um portfólio complementar de herbicidas para cana-de-açúcar que cobre todas as fases do ciclo, com tecnologia, seletividade e amplo espectro de controle.
GROVER® — Herbicida pré-emergente de amplo espectro
GROVER® é um herbicida pré-emergente altamente seletivo para cana-de-açúcar, composto por dois princípios ativos de modos de ação distintos: S-metolacloro (grupo cloroacetamida) e hexazinona (grupo triazinodiona). Seus principais diferenciais:
- Amplo espectro: controle de mais de dez das principais daninhas da cana, incluindo gramíneas e folhas largas
- Flexibilidade de aplicação: pode ser aplicado na transição semisseca (hexazinona) e semiúmida (S-metolacloro), adaptando-se às diferentes condições climáticas das regiões canavieiras
- Residual prolongado: ação no banco de sementes do solo, mantendo o canavial protegido por mais tempo e reduzindo a necessidade de repasses
- Seletividade: altamente seletivo à cultura, sem causar danos à cana-planta ou à cana-soca
- Compatibilidade com o quebra-lombo: pode ser aplicado na operação de quebra-lombo, integrando o nivelamento do solo ao controle preventivo de daninhas em uma única entrada de máquina
CALIPEN® SC — Herbicida pós-emergente para todas as situações
CALIPEN® SC é o herbicida pós-emergente de referência para cana-de-açúcar da Syngenta, composto por mesotriona (grupo tricetona) e atrazina (grupo triazina). Seus diferenciais incluem:
- Amplo espectro: controla gramíneas (folhas estreitas) e espécies de folhas largas de difícil controle como corda-de-viola, merremia e mucuna
- Versatilidade total: aplicável em cana-planta e cana-soca, em qualquer estádio da cultura e em múltiplos momentos de aplicação
- Aplicação aérea: com registro para aplicação via avião ou drone, essencial para áreas de difícil acesso e para o controle de cipós na pré-colheita
- Praticidade e menor volume: eficácia em baixa dosagem, reduzindo o volume de embalagens e os custos operacionais
- Compatibilidade: pode ser utilizado em combinação com outros produtos do programa de manejo
Portfólio Syngenta para o manejo de daninhas na cana-de-açúcar
| Produto | Tipo | Modo de ação | Espectro | Melhor posicionamento |
| GROVER® | Pré-emergente | S-metolacloro + hexazinona (2 modos de ação) | Gramíneas e folhas largas | Plantio da cana-planta; quebra-lombo; transição semisseca/semiúmida |
| CALIPEN® SC | Pós-emergente | Mesotriona + atrazina (2 modos de ação) | Gramíneas + dicotiledôneas (cipós, merremia, mucuna) | Pós-emergência inicial, tardia e pré-colheita (aéreo) |
Boas práticas para maximizar a eficiência do manejo de daninhas
Para que o programa herbicida seja eficiente e sustentável, os especialistas em cana recomendam:
- Monitoramento e levantamento da flora daninha: identificar corretamente as espécies presentes e construir um histórico de infestação da área é o primeiro passo para escolher os produtos e momentos certos
- Programa integrado pré + pós-emergente: os dois tipos se complementam; o pré-emergente previne e o pós-emergente corrige escapes e novos fluxos
- Aplicar no momento certo: para o pós-emergente, atuar com as daninhas ainda pequenas maximiza a eficácia e reduz os custos; para a pré-colheita, agir antes que os cipós atinjam o dossel da cana
- Considerar as condições climáticas: a solubilidade dos princípios ativos define o desempenho do pré-emergente; a umidade nas folhas das daninhas influencia a absorção dos pós-emergentes
- Rotação de moléculas: o uso de produtos com diferentes modos de ação retarda o desenvolvimento de resistência e mantém a eficácia do programa a longo prazo
- Acompanhamento técnico: a orientação de um engenheiro agrônomo garante o posicionamento correto dos produtos e a adaptação do programa às características específicas de cada área
A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável. Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo que está acontecendo no campo.


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